Hoje achei uma moeda no meio da rua. Uma moeda de cinco centavos que ficava situada entre os espaços de concreto de uma rua sem asfalto. O esforço, a energia que seria gasta pelo meu corpo para me abaixar e pegar essa moeda não valia a penny. Mesmo assim eu me inclinei, estiquei meu braço, fiz formato de pinça com os dedos e peguei a moeda. Pois mesmo ela não sendo bonita, muito pelo contrário, bastante desgastada e suja, apesar da economia e do perigo de está pegando uma moeda numa rodovia, peguei a moeda. Peguei a moeda porque hoje eu me sinto uma moeda de cinco centavos em meio a trânsito de carros e caminhões. Estagnada, pequena, barata, mas resistente. Esperando alguém olhar para mim em meio a concreto, quase camuflada pelas minhas cores. Esperando depois de ser vista, que alguém veja meu valor. Não só meu pequeno valor econômico mas, sei lá, minhas propriedades mais simples. No meu metal da minha pele um desenho. Meu cobre e sua grande capacidade de corrente elétrica. Ser visto, mas não do ser visto, ser reconhecido. Reconhecido como o primeiro a ser contado num grande troco de moedas. Depois do troco, notado a minha falta quando eu escorrego em seu bolso e acabo no meio de um rua.
E depois, por que não? Contarem a minha história.
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