sexta-feira, 25 de julho de 2014

Cachorro? Que cachorro o que! Não sou cachorro não!


Encantadora de cães é aquela moça que vê um cachorro na rua e quer ter para si, então fala com eles até eles seguirem ela até onde ela for. Como naquelas histórias de cachorro que segue o dono até trabalho.
Por questões de princípios de onde ela vem, ela não pode ter um cachorro. Então ela coleciona tempo e memórias curtas com os que encontra por aí.
Eu me apaixonei por ela, mas não por causa disso, por causa de tudo. Não concordo muito com o que ela faz com os cachorros. Eu sou o contrário dela, eu faço o possível para ignorar ou fingir que ignoro e me distrair. Não é saudável ter empatia por todos os seres do universo. Seria impossível ser feliz assim. Atrair a atenção do cachorro na rua, para mim, seria dar esperanças a ele de um luxo e conforto que só existe na platonicidade da mente daquele cachorro que não pensa. E esperança é uma arma extremamente forte que eu não quero usar contra ninguém, já que sei manusear.
Não acho que ela faz por mal, acho que ela simplesmente queria ter um cachorro e o cachorro só queria ter uma dona.
Eu mesmo já fui o cachorro de rua dela várias vezes, mesmo sendo de raça que sou e comendo ração da boa. Abracei seus carinhos momentâneos e a segui por todo lugar. Hoje em dia eu sou só um cachorro, mas ainda espero que ela me leve para casa e os motivos ainda são todos.

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