domingo, 8 de março de 2015

Aborto de vidas

"[...] Morte anunciada, direitos autorais
Pela tv à cabo uma baleia acaba de nascer
Nascer pode ser uma passagem violenta
O futuro se impõe
O passado não se aguenta [...]"
Pose (anos 90) - Engenheiros do hawaii

No japão a cultura de comer carne de baleia é bastante forte. Matar para comer é a cultura mais antiga que o ser humano acha que criou. 
Existem lugares onde baleias são protegidas para não serem extintas. Eu mesmo, precisei ir para disney para ver uma baleia. Não fez diferença alguma.

Mas uma baleia que nasce na costa marinha do japão está fadada a ter uma morte violenta.

Uma mãe que aborta um bebê pode salvar a vida de um bebê.

Você já assistiu na tv em alguma série ou filme um funeral de um héroi de guerra?
Eu assisti um dia desses em House of Cards. É lindo. Tocam as trombetas, gaita de fole com seus agudos infernais que abafam o barulho de parceiros do exercito atirando sincronizados ao céu. Bandeiras de sua nação cobrem o caixão que vai ao chão daquele cemitério de guerreiros que lutaram pelo pais, não para matar como objetivo, mas para salvar milhões. 
Pelo menos é essa a proposta vendida pelo país e citada, misturada, com argumentos interpretados da bíblia, pelo padre em sua cerimonia fúnebre.

Interessante como, de repente, até as religiões que são completamente contraditórias à qualquer tipo de execução, encontram meios para justificar a matança e a morte de uma pessoa para às famílias.

Mas como é possível medir o valor de uma vida?
Por dinheiro? (As pessoas não aceitariam a inevitável resposta)
Poder? (As pessoas não aceitariam a inevitável resposta)
Pela nação que você naceu? (As pessoas não aceitariam a inevitável resposta)
Por intimidade? (As pessoas não aceitariam a inevitável resposta)

~Sendo heróis e salvando outra vida~

Agora sim, finalmente temos um argumento que todas as religiões e ideologias abraçam com Ágape (amor divino, eu acho).

Um bebê abortado pode salvar a vida de uma mãe.


Toda sexta eu chamo uma amiga minha para sair, e se ela botar na cabeça que ela não vai sair, não tem exu que eu invoque que faça ela sair de casa. Mesmo assim eu ainda tento e falho miseravelmente toda semana.

Quando tomamos uma decisão, seja da mais pequena, a maior delas, estamos fadados a seguir ela até uma outra decisão passar a fazer mais sentido.
Uma mulher tem direito de decidir nao ter filho. Decidir nao ter filho é uma decisão violenta.


Vimos exemplos de que abortar pode ser uma decisão heroica para uma sociedade que acredita em herois.
Quando uma mulher aborta ilegalmente e morre ou sai danificada ou sai bem e simplemente aborta, não se ouve nenhuma trombeta, não há nenhuma gaita de fole. Apenas o som frio de uma clinica ilegal suja e o som de um cara na sala de espera falando que ela fez a coisa certa e mesmo depois, sussurros agudos da familia fazendo a mulher se sentir vergonha do que fez. Erguendo a cabeça e trabalhando em sua vida.

Achando normal essa passagem violenta.

Pelas minhas virtudes e meus conceitos morais e éticos.
A mulher é muito mais heroi de guerra que um heroi de guerra.

Vamos ao fim da discussão para poder começar:

Aborto é assassinato?

Sim, chame da porra que você quiser. Me chame de assassino, "desumano", monstro por defender a chance de escolha do aborto. Que seja.

Se estamos em uma sociedade com esse sistema de policia militar e exercito, estamos fadados a sermos assassinos passivos.

Matamos qualquer um que ameaçar a vida de qualquer um que amamos ou matamos para fazer qualquer um que amamos sobreviver.

Que se foda esse título. Somos assassinos desde sempre em nome de nossa sobrevivencia e culturas "de comer baleia". Para que mentir agora?

Não ouço mais nada.

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