segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Arte é como chorar
Meu pai me ligou ontem e perguntou:
-E ai qual as novidades?
Dei uma chance, pensei em algo realmente novo que eu estou fazendo e que está me deixando feliz e disse:
-Ah, eu comprei argila, painho. Tô querendo aprender a fazer esculturas.
Assim que eu falei, eu me arrependi e ansiosamente, eu previ todo o dialogo `a seguir, e sem me surpreender ele disse:
-Mas é para que? É um trabalho? Você quer vender? Por quê?
...
Enquanto ele falava, em meio segundo eu ainda me senti meio idiota por não ter motivo concreto com resultado produtivo imediato. Logo em seguida eu pensei, porra, quem eu to querendo enganar? Eu preciso dessa porra.
Meu pai não é a única pessoa próxima a mim que eu amo e tenho problemas de identificação e comunicação, resumindo, não é a única pessoa que eu amo que eu tenho problemas.
Eu sou uma pessoa extremamente ansiosa e penso para caralho e consequentemente estou em constates desconstruções, repensando todos meus atos diariamente, consequentemente eu tenho atritos constantes com pessoas próximas à mim, tenho agonias diárias existencialistas, as vezes amo quem eu vou me tornando, as vezes odeio.
(lembrando que isso tudo é um pensamento enquanto meu pai fala
“Mas é para que? É um trabalho? Você quer vender? Por quê?
Mas é para que? É um trabalho? Você quer vender? Por quê?
Mas é para que? É um trabalho? Você quer vender? Por quê?
Mas é para que? É um trabalho? Você quer vender? Por quê?”
)
Muita gente chega para mim e fala, po igao você é um artista, você faz altas paradas etc...
Arte para mim é como chorar,
muita gente acha que é para chamar atenção, para ter status, para ser reconhecido, para ganhar dinheiro, ou ate mesmo para atrair parceiras para beijar...
Só que chorar, as vezes é uma coisa que a gente simplesmente precisa fazer.
Eu desenho, faço vídeo, danço, conto uma piada, faço um som, ouço, toco, cheiro, vejo, escrevo, faço montagens, crio memes, porque eu preciso, diante da minha infinita tentativa de me comunicar toda essa agonia, toda essa ansiedade, todo esse tédio, com o mundo e ouvi a sua resposta, para não acabar passando vários dias sozinho trancado em um quarto.
Eu preciso fazer essas paradas. Nem sempre eu gosto de faze-las. Assim como chorar:
-Eu odeio desenhar, me da um tedio do caralho eu fico me sentindo inútil.
-Eu odeio a maioria das comédias, principalmente standup. (meu sonho é fazer stand up)
-Eu odeio comédia relacionada a música, pra mim é uma parada preguiçosa, tipo, cara, você não é engraçado, você precisa de um artifício animadinho para distraí das suas piadas ruins, mas se você parar para analizar, nem sua musica nem suas piadas separadamente, são boas, então você é um comediante preguiçoso e um musico preguiçoso também. (Meus últimos dois vídeos de comedia foram musicais)
-Sobretudo, odeio escrever. O método para mim sempre foi horrível de entender, eu me perco para caralho quando to escrevendo a maioria das pessoas perdem o fio da meada e eu juro que ta fazendo sentido, meu português é um lixo, tudo isso em função da minha leve dislexia.
Então depois de pensar tudo isso de uma maneira mais resumida eu respondi a pergunta do meu pai:
-Então po, é uma parada que me faz bem.
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